Sudão: onda de violência tem abuso de crianças e bloqueio de internet

O clima de violência e instabilidade no Sudão existe desde meados de 2018, quando manifestantes iam às ruas pedir a renúncia do presidente Omar al Bashir. Com forte repressão policial, 29 pessoas já haviam morrido nos protestos até janeiro deste ano e não foram as últimas fatalidades registradas em levantes populares no país

Mesmo depois da queda do presidente, em abril, quando militares assumiram o poder, o povo seguia nas ruas. Agora, os protestos pedem o fim do governo dos militares e a devolução do poder aos civis 
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Nas tentativas de conter os protestos, o grupo paramilitar Força de Apoio Rápido deixa um rastro de violência. No dia 30 de junho, em um ataque contra um acampamento de opositores, foram cerca de 30 mortos e 100 feridos, além dos corpos jogados no Rio Nilo. Médicos locais disseram que era difícil contabilizar os atendimentos e as fatalidades, que aumentavam a cada hora

Desde o começo da onda de violência, cerca de 100 pessoas morreram e outras 700 ficaram feridas, segundo estimativas do jornal britânico The Guardian

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Bloqueio de internet

Depois do ataque, o governo sudanês bloqueou o acesso a internet e dados móveis no país, segundo o jornal The Financial Times. As redes sociais eram usadas para organizar e articular os protestos, além de compartilhar a brutalidade militar e o que estava acontecendo no país

Foram pelas redes sociais que sudaneses compartilharam fotos e vídeos dos ataques, fizeram denúncias e tentaram chamar a atenção de outros internautas para a crise que o país enfrente

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Um porta-voz dos líderes militares do país confirmou o corte na internet e disse que seria por um “tempo limitado”, mas não especificou quanto tempo e nem justificou o bloqueio, segundo o Financial Times

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Estupros
Os médicos atenderam mais de 70 casos de estupros depois do ataque ao acampamento em Cartum, capital do país. Os abusos teriam acontecido durante e depois a chegada das Forças de Apoio

Um médico no hospital Royal Care disse ter cuidado de oito vítimas, sendo cinco mulheres e três homens. Outro médico afirmou ter cuidado de outros dois casos, sendo um deles de uma pessoa atacada por quatro militares, segundo o jornal britânico The Guardian

Crianças entre as vítimas
A ONU informou que pelo menos 19 crianças morreram nos ataques deste mês, além de outras 49 feridas e muitas outras correndo risco, disse a diretora executiva da Unicef Henrietta Fore em declaração. Ela também afirmou que outros jovens estão presos, foram recrutados para a guerra e foram abusados sexualmente

“Escolas, hospitais e centros de saúde se tornaram alvo, foram saqueados e destruídos”, disse. Ela também afirma que pais estão com medo de deixar os filhos saírem de casa por causa dos riscos

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