• 27 de setembro de 2021 3:48 pm

AO VIVO: Advogado apontado como lobista da Precisa depõe à CPI da Covid

Comissão investiga a negociação entre a empresa e o Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin.

  • A CPI da Covid ouve nesta quarta-feira (15) o advogado Marconny Albernaz, apontado como lobista da Precisa. Veja VÍDEOS do depoimento.

  • Marconny afirmou que foi sondado para assessorar a empresa na compra de testes de Covid e nega ter negociado vacina: ‘Tudo não passou de conversa de WhatsApp’.

  • O advogado negou ser lobista e afirmou não conhecer nenhum senador. A resposta causou irritação nos parlamentares. Veja vídeo

  • Ele confirmou que esteve em camarote junto com o filho caçula do presidente Bolsonaro, Jair Renan, e afirmou que eles mantinham relação de ‘amizade’.

Documentos obtidos pela CPI mostram que Jair Renan abriu empresa com ajuda de Marconny.

Assista AO VIVO: CPI da Covid interroga advogado apontado como lobista da Precisa

CPI: Marconny nega ser lobista da Precisa e diz que recebeu apenas ‘sondagem’ para fazer assessoria política

Ele disse que foi sondado para assessorar politicamente a empresa em tratativas com o Ministério da Saúde. Marconny afirmou que, se fosse lobista, seria péssimo’ na atividade.

O empresário Marconny Ribeiro disse à CPI da Covid nesta quarta-feira (15) que teve contato por 30 dias com a Precisa Medicamentos em 2020 e negou ser lobista da empresa. As conversas, segundo ele, se deram pelo aplicativo de mensagens whatsapp e se referiam a sondagens que a Precisa fez para ele assessorar politicamente a empresa em tratativas de vendas de testes rápido da Covid para o Ministério da Saúde.

“Nunca me envolvi em compra de vacina. No incio da pandemia, fui sondado para assessorar tecnicamente a Precisa. Tinha como objetivo a aquisição de testes rápidos para a detecção da covid-19. Como a concorrência já estava em andamento, não participei da analise do edital, apresentação da proposta. Houve uma mudança na diretriz do MS que optou pela testagem por outros meios, e a aquisição foi cancelada pelo próprio MS. Não houve tratativas, pagamentos de valores, vantagem a mim ou qualquer outra pessoa”, afirmou Marconny.

“Tudo não passou de conversa de whatsapp, que durou aproximadamente 30 dias”, completou.

A CPI investiga suposta atuação do empresário na negociação que resultou no contrato bilionário do Ministério da Saúde com a Precisa para a venda da vacina indiana Covaxin. O negócio acabou cancelado por suspeita de irregularidade.

Os senadores também querem ouvir de Marconny respostas sobre a participação dele na venda ao poder público de testes contra a Covid.

Apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal compartilhadas com a CPI apontam que ele teria encaminhado mensagens com explicações sobre processo supostamente irregular para aquisição de testes.

À CPI, ele explicou o que seria a “assessoria política” que prestaria para a Precisa.

“Politicamente e tecnicamente. como naquela época a gente estava vivendo uma pandemia, um lockdown, eles precisavam de um parecer técnico de um cenario poltiico, de viabilidade, dentro de uma situação para ver se tinha possibilidade de acontecer tal negócio”, afirmou.

“Eu fazia uma análise de estudo de viabilidade política e técnica política. Como conheço o cenário de Brasília, eu conheço a política de Brasília”, continuou Marconny.

‘Péssimo lobista’

O empresário disse ainda que não é lobista e que, caso fosse, seria “péssimo” na profissão. Isso porque, segundo Marconny, ele não conseguiu transformar suas relações sociais em bons negócios.

“Se eu fosse lobista, eu seria um péssimo lobista porque jamais fui capaz de transformar minhas relações sociais em contratos e resultados econômicos milionários conforme divulgado falsamente pela imprensa. Nunca recebi dinheiro público. Meu patrimônio condiz com minha renda, argumentou.

Filho de Bolsonaro abriu empresa com ajuda de lobista, apontam documentos da CPI

Jair Renan Bolsonaro trocou pelo menos uma centena de mensagens com Marconny Albernaz de Faria, apontado pela CPI como intermediário da Precisa Medicamentos.

Documentos da CPI da Covid mostram que Jair Renan Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, abriu uma empresa de eventos com ajuda do lobista de uma empresa investigada pela comissão.

O lobbista Marconny Albernaz de Faria é apontado pela CPI da Covid como um intermediário da Precisa Medicamentos, que fechou contrato com o Ministério da Saúde de mais de R$ 1 bilhão para venda de vacina contra Covid — o contrato foi suspenso por suspeita de irregularidade.

Conversas no telefone do lobista foram copiadas a pedido do Ministério Público Federal no Pará e enviadas para a CPI.

Jair Renan Bolsonaro trocou pelo menos uma centena de mensagens com o lobista.

Em um dos diálogos, revelados pelo jornal “Folha de S.Paulo”, Marconny Albernaz oferece ajuda para Jair Renan abrir uma empresa. A TV Globo também teve acesso às mensagens.

O lobista diz a Jair Renan:

“Bora resolver as questões dos seus contratos!! Se preocupe com isso. Como te falei, eu e o William estamos à sua disposição para ajudar te ajudar.”

O filho do presidente responde:

“Show irmão. Eu vou organizar com Allan a gente se encontrar e organizar tudo.”

Allan Lucena é sócio de Jair Renan Bolsonaro.

Cinco horas mais tarde, Jair Renan diz que precisa abrir um processo para registrar no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) marcas e patentes e um registro de microempreendedor individual.

O Inpi é o órgão responsável por registrar patentes e marcas de empresas e produtos.

O lobista responde:

“Temos que marcar uma reunião, pra me dizer o que está precisando. Bora marcar na segunda.”

Jair Renan responde com “talkey”, expressão usada com frequência pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro.

“William”, a quem o lobista se refere nas mensagens, é o o advogado William de Araújo Falcomer dos Santos, que o defende na CPI.

Enquanto agendava com o filho do presidente, Marconny Albernaz mandou mensagem para ele.

“Posso marcar uma reunião com o Renan Bolsonaro na segunda às 16h?”

E o advogado responde: “Pode, marcado”.

Jair Renan, filho do presidente Jair Bolsonaro, em imagem de fevereiro — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A empresa de Jair Renan foi inaugurada em novembro do ano passado em um camarote dentro do estádio nacional Mané Garrincha, em Brasília.

Segundo o registro na Receita Federal, a empresa atua na área de eventos, feiras e produção de eventos esportivos.

O telefone cadastrado na Receita Federal como sendo da empresa é o mesmo do escritório de advocacia de William Falcomer, dono do escritório onde houve a reunião entre Renan Bolsonaro e Marconny Albernaz.

A TV Globo não conseguiu contato com Jair Renan Bolsonaro nem com o lobista Marcony Albernaz, alvo da CPI. Também procurou o Palácio do Planalto, mas não obteve resposta.

Fonte: G1

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