• 27 de setembro de 2021 10:02 pm

Testemunha diz que Ronnie Lessa matou rival do ex-vereador Cristiano Girão

As investigações da Polícia Civil apontam que Girão contratou Ronnie Lessa, o ex-PM acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, para matar, em 2014, o ex-PM André Henrique da Solva Souza, o Zóio, e a companheira dele, Juliana Sales de Oliveira. Duas testemunhas relataram a policia que viram Ronnie Lessa atirar em rival do ex-vereador Girão

Acusado de matar Marielle e Anderson foi visto atirando contra rival de ex-vereador Cristiano Girão, segundo a polícia — Foto: Reprodução/JN

Agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) ouviram de duas testemunhas que o policial reformado Ronnie Lessa, preso pela morte da vereadora Marielle Franco, foi um dos autores dos tiros que mataram o ex-PM André Henrique da Solva Souza, o Zóio, e a companheira dele, Juliana Sales de Oliveira, em 2014.

Segundo as investigações, o ex-vereador Christiano Girão foi o mandante do crime. Ele foi preso na última sexta-feira (30), em São Paulo.

Informações que constam na investigação revelam que na época do crime a Gardênia Azul vivia uma disputa territorial após a primeira prisão de Girão, em 2009. E a vítima, André Henrique, era um miliciano de Campo Grande, na Zona Oeste da cidade, que tentava dominar a região.

No dia 19 de julho, o ex-vereador foi denunciado Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pelo crime.

Na época do assassinato de Zóio, Girão estava em um presídio de segurança máxima fora do Rio de Janeiro, mas, segundo o MPRJ, de lá ainda controlava a quadrilha.

Girão já havia sido preso em dezembro de 2009 dentro da Câmara de Vereadores. Ele foi condenado por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro da milícia. Em 2017, foi solto.

Morte de rival

Em junho de 2014, o casal André Henrique e Juliana Sales estava na Gardênia Azul, em um carro modelo Honda Civic, dirigido por André. O veículo foi interceptado por um Fiat Dobló, branco, de onde foram feitos vários disparos de armas de fogo.

Os depoimentos prestados por duas testemunhas oculares do assassinato do rival de Girão foram determinantes para a decisão judicial que ordenou a prisão do ex-vereador.

Segundo os relatos, Ronnie Lessa teria feito os disparos contra Zóio com “uma arma semelhante a um fuzil”. A perícia concluiu que a arma utilizada no crime seria de fato um fuzil calibre 556.

As duas testemunhas disseram à polícia que conseguiram ver duas pessoas atirando contra o carro onde estavam André Henrique e Juliana Sales. Contudo, eles só identificaram Ronnie Lessa na cena. As testemunhas contaram que o segundo atirador estaria atrás de uma árvore e, por isso, não seria possível confirmar a identidade do suspeito.

Os depoimentos colhidos também indicam a participação de Wallace de Almeida Pires, conhecido como Robocop, no assassinato de Zóio. A polícia concluiu que Wallace, braço direito e sócio de Girão na milícia da Gardênia Azul, era o elo entre Ronnie Lessa e Cristiano Girão na articulação dos assassinatos da quadrilha.

Wallace foi morto no dia 17 de fevereiro de 2019.

ex-vereador foi preso pela policia do Rio Foto: Divulgação TV Globo

Semelhança com a morte de Marielle

Segundo o trabalho de investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, responsável pela denúncia contra Girão pela morte de Zóio, existem semelhanças entre a emboscada na Gardênia e o assassinato de Marielle e Anderson Gomes.

  • Os carros das vítimas foram atingidos em movimento, por dezenas de tiros, agrupados;
  • Uma arma automática foi usada: no crime de 2014, um fuzil; na morte de Marielle, uma submetralhadora MP5;
  • Os assassinos ficaram por duas horas de tocaia.

O que dizem as defesas

Ao G1, na sexta-feira, a defesa de Cristiano Girão afirmou que soube da prisão pela mídia e que “causa estranheza” ela acontecer 7 anos após o crime. O advogado do ex-vereador disse que iria protocolar um pedido de habeas corpus.

Bruno Castro, advogado de Ronnie Lessa, afirma que não teve acesso à investigação.

“A defesa não teve acesso a absolutamente nada dessa investigação, o que impossibilita qualquer posicionamento. Portanto, somente poderá se manifestar depois que tiver acesso aos autos”.

Fonte: G1

 

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