‘Da Vinci’ leiloado por R$ 1,7 bi estaria em iate de príncipe saudita

12 de junho de 2019 Off Por Clayton Lima
Obra de Leonardo da Vinci foi leiloada em 2017 por 450 milhões de dólares
Obra de Leonardo da Vinci foi leiloada em 2017 por 450 milhões de dólares
EPA/JUSTIN LANE/15.11.2017

A obra Salvator Mundi, de Leonardo da Vinci, cujo paradeiro se tornou um mistério desde 2017 — quando foi vendida por nada menos que 450 milhões de dólares (ou R$ 1,7 bi) —, estaria guardada em um megaiate do príncipe saudita Mohammad bin Salman.

A revelação foi feita pelo site Artnet — especializado em cobertura do mercado da arte. Segundo a publicação, a localização da obra foi revelada por duas pessoas “familiares” com a transação. Um segundo príncipe saudita teria feito a compra da pintura centenária em nome de Mohammad bin Salman em um leilão da Christie, famosa empresa britânica de comércio de obras de arte.

Salvator Mundi, um retrato de Jesus Cristo pintado por volta de 1500, seria exposto no Louvre de Abu Dhabi, dos Emirados Árabes Unidos, mas sua mostra foi cancelada sem maiores explicações no ano passado. O valor pelo qual foi arrematado no leilão da Christie é considerado o maior da história. 

Segundo a revista americana Time, dados de rastreamento da agência de notícias Bloomberg apontam que, no último 26 de maio, o iate de Mohammad bin Salman se situava no Mar Vermelho próximo a Sharm el-Sheikh — cidade egípcia na ponta sul da Península do Sinai conhecida por seus complexos hoteleiros.

Mohammed bin Salman é líder da Arábia Saudita
Mohammed bin Salman é líder da Arábia Saudita
Courtesy of Saudi Royal Court via REUTERS/30.05.2019

O site Artnet afirma que Salvator Mundi deve permanecer no iate de 134 metros de comprimento do príncipe saudita até que um centro cultural em Al-Ula — província da região de Medina, no noroeste da Arábia Saudita — seja inaugurado.

Mandante de execução

O príncipe Mohammed bin Salman, primeiro na linha de sucessão ao trono saudita e líder de “de facto” do país desde 2017 — seu pai, o rei Salman, sofre da doença de Alzheimer — tornou-se alvo de escrutínio internacional no último ano.

Ele é apontado como o principal mandante por trás da execução do jornalista Jamal Khashoggi, que foi torturado e esquartejado dentro do consulado saudita em Istambul, na Turquia.

Na Arábia Saudita, Khashoggi era conhecido por seu trabalho de denúncia dos abusos do regime liderado por Bin Salman, especialmente na Guerra do Iêmen.