Sudão: oposição suspende atos de desobediência civil contra governo

12 de junho de 2019 Off Por Clayton Lima
Comércio fechou em protesto contra militares
Comércio fechou em protesto contra militares

Marwan Ali / EPA / EFE / 11.6.2019

As Forças da Liberdade e Mudança, principal aliança de oposição do Sudão, anunciaram nesta terça-feira (11) a suspensão da campanha de desobediência civil contra a junta militar que governa o país desde que o presidente Omar al Bashir foi deposto em abril.

O movimento para contestar os militares começou no último domingo, em protesto contra o ataque ao acampamento permanente montado pela oposição em Cartum, capital do país, e que deixou dezenas de mortos.

A coalizão anunciou hoje que, após consultar diversos sindicatos profissionais, decidiu suspender a desobediência civil e a greve política de forma temporária. A medida visa, segundo os opositores, organizar melhor a resistência à junta militar que assumiu o poder após a queda de Bashir.

Para isso, os opositores organizarão comitês em bairros e em cada sindicato de trabalhadores para dar sequência às manifestações. Na avaliação das Forças da Liberdade e Mudança, o movimento obteve até então um “êxito deslumbrante”.

“Este consenso civil sem precedentes é uma mensagem clara ao Conselho Militar sobre a força do povo sudanês”, disse em comunicado a coalizão, que é integrada por sindicatos, organizações da sociedade civil e partidos políticos do país.

A desobediência será a estratégia que as Forças da Liberdade e Mudança adotarão até que os militares que governam o país desde 11 de abril entreguem o poder a uma autoridade civil.

O movimento é uma resposta ao ataque contra um acampamento mantido pelos opositores em frente à sede do Exército do Sudão em Cartum. Militares invadiram o local e entraram em confronto com jovens que exigiam a transferência do poder para um governo civil.

Segundo o governo interino, 61 pessoas morreram após vários dias de confronto. A oposição elevou o número de vítimas para 113 e decidiu suspender todos os contatos com as autoridades militares.

A junta militar suspendeu os acordos firmados até o momento e convocou eleições antecipadas em um prazo de nove meses. Além disso, o governo interino prometeu investigar o que ocorreu no acampamento.