Ouvidoria: suspeitos de Guararema morreram com tiros à queima-roupa

PM matou 11 em ação em Guararema
PM matou 11 em ação em Guararema Jonny Ueda/Futura Press/Estadão Conteúdo – 04.04.2019

Relatório da Ouvidoria de Polícia de São Paulo aponta que quatro suspeitos de participarem de um assalto a banco em Guararema, a cerca de 80 km de São Paulo, foram mortos com tiros à queima-roupa pela Polícia Militar.

A ação de policiais militares da Rota e do Batalhão de Choque (com apoio de dois PMs locais e um policial ambiental), que aconteceu em abril deste ano e teve grande repercussão, terminou com 11 suspeitos mortos.

Na avaliação da Ouvidoria da Polícia do Estado, não foram seguidos dois dos quatro conceitos – oportunidade, necessidade, proporcionalidade e qualidade – do chamado método “Giraldi – Tiro Defensivo na Preservação da Vida”: os de proporcionalidade e qualidade.

De acordo com o ouvidor de polícia, Benedito Mariano, é importante destacar que, embora aponte as irregularidades, “a Ouvidoria da Polícia reconhece a legitimidade da ação policial no enfrentamento de quadrilha organizada com armamento pesado”.

Conforme o relatório da ouvidoria, há “indícios de excesso na legítima defesa”, pois pelo menos três dos mortos foram atingidos por tiros a uma distância média de 15 cm e um à distância de 30 cm.

Portanto, o órgão julga “ser importante a reconstituição da ação pela corregedoria da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Técnica Científica”.

O documento ainda aponta que em um policial civil, irmão do morto Jean Santos Souza, teria negociado a entrega do suspeito sem resistência. O homem teria se entregado e, mesmo assim, foi alvo de disparos a cerca de 30 cm de distância.

O policial civil prestou depoimento ao Condenpe (Conselho Estadual de Direitos Humanos) e disse que negociou a entrega do irmão com um sargento. O PM teria confirmado a negociação.

O laudo ainda identificou que, das viaturas danificadas, apenas três foram atingidas por tiros (nos faróis). A maioria das viaturas teve danos causados por ‘miguelitos’ (ou estrepes), objetos antiveículos com pregos retorcidos colocados em estradas para furar pneus.

O R7 pediu posicionamento para a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) e para a Polícia Militar no final da tarde desta terça-feira (17), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Fonte: R7