Em áudio, professor suspeito de assédio chama aluna de ‘amorzinho’

Em áudio, professor suspeito de assédio chama aluna de ‘amorzinho’

9 de outubro de 2019 0 Por Clayton Lima
Em mensagens, professor pede fotos íntimas de aluna de 12 anos
Em mensagens, professor pede fotos íntimas de aluna de 12 anos
Arquivo Pessoal

Em mensagem de áudio, professor suspeito de assediar menina de 12 anos, em uma escola de Ariranha, no interior de São Paulo, chama aluna de “amorzinho” e diz que “não pode dar bandeira”. A Polícia Civil da cidade instaurou um inquérito para investigar o caso e saber se há relatos de outras eventuais vítimas. A mãe da garota, Francielli Lima Cezare, registrou o boletim de ocorrência contra o homem no domingo (6). 

“Eu sei meu amorzinho. Mas a gente tem que disfarçar um pouquinho, se não vai dar muita bandeira. Você quer ver eu preso? Eu não posso. Não posso, assim. Eu tenho maior vontade, a gente precisa ter cuidado. Não pode vazar essas informações de jeito nenhum. Mas me manda foto, por favor, e eu quero ver pessoalmente, sim, estou louquinho. Beijos”, diz o áudio. 

A mãe da menina afirmou que foram mais de 10 áudios e diversas conversas pelo Whatsapp encaminhadas à polícia. “Tinham nível pornográfico”, disse. “Depois de todos os áudios, mensagens e todas as provas, gostaria que ele já estivesse preso, mas a gente mora no Brasil e nossa Justiça é lenta. Então, continuamos com a nossa indignação. Esperava a notícia que ele já estivesse preso.”

Familiares da vítima afirmam que este não é o primeiro caso que envolve o professor de matemática. “Ele pegou o número dela em um grupo da escola. Primeiro começou a falar que ela era bonita até chegar nas mensagens pedindo fotos dela sem roupas”, diz um parente que não quer se identificar.

O familiar da garota afirma que o caso não é o primeiro nem o único que ocorreu na cidade. “Outras familias e alunos me mandaram mensagens falando que não era o único caso.”

Segundo o familiar, a menina não quer mais voltar à escola. “Ela está péssima”, afirmou a fonte ouvida pela reportagem, que disse ter sido procurado por seis alunos. Ele também confirmou que o professor teria sido agredido por familiares da vítima e por pais de alunos da escola. 

Investigação

A Polícia Civil de Ariranha, cidade localizada a quase 400 quilômetros de São Paulo, instaurou um inquérito para investigar o caso de um professor de matemática, de 52 anos, suspeito de assediar uma aluna de 12. O boletim de ocorrência foi registrado pela mãe da jovem no domingo (6), após ter encontrado conversas no celular da filha em que ele pedia fotos íntimas por meio de um aplicativo de conversa.

O delegado do caso, Gilberto César Costa, afirmou que a polícia investiga quando o assédio teria se iniciado. O celular da garota foi apreendido e aguarda autorização judicial para ser periciado. O delegado também investiga se há outras vítimas e outros crimes cometidos pelo mesmo suspeito. “Ela estava inconformada, revoltada”, disse o delegado sobre o momento em que a mãe da garota realizou a denúncia.

Nas redes sociais, moradores da região afirmam que o suspeito teria apresentado comportamentos semelhantes em outras ocasiões. Por meio de uma página na internet, a mãe da garota teria se pronunciado sobre o assédio: “Você mexeu com a pessoa errada, vou acabar com você. Ninguém nunca teve coragem de acabar com a sua palhaçada. A surra que você levou foi pouco perto do que você merece”, disse ela ao se referir a ele como “professor pedófilo”.

Em caso de assédio a menores de 12 anos, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê que “aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso” pode levar a uma pena de reclusão de um a três anos e multa.

Caso a vítima tenha mais de 12 anos, ele pode ser punido administrativamente com afastamento e até demissão por ser uma conduta incompatível com a missão e profissão de professor e educador.

“Ele, se for funcionário público, professor de escola pública, pode responder também por improbidade administrativa, por práticas ilegais no cargo e função, em ação própria na vara da infância e juventude, podendo ser condenado a demissão do serviço público e pagamento de multas”, explica Ariel de Castro Alves, advogado especialista em direitos da criança e do adolescente.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, responsável pela administração da Escola Estadual Gabriel Hernandes, de Ariranha, onde o professor trabalha, afirmou que a Diretoria Regional de Ensino de Catanduva tomou todas as providências necessárias.

“O professor já foi afastado das atividades em sala de aula e uma apuração preliminar foi aberta. Se comprovada as denúncias, serão aplicadas as penalidades pertinentes. A administração regional está à disposição dos pais e responsáveis pelos alunos e colabora com a polícia”, declarou a pasta.