Mensagens eram sequência da sala de aula, diz mãe de garota assediada

Mensagens eram sequência da sala de aula, diz mãe de garota assediada

10 de outubro de 2019 0 Por Clayton Lima
Em mensagem, professor cobra fotos íntimas de aluna de 12 anos
Em mensagem, professor cobra fotos íntimas de aluna de 12 anos
Arquivo Pessoal

A mãe da menina de 12 anos, que relata ter sido assediada por um professor na escola estadual Gabriel Hernandes, na cidade de Ariranha, no interior de São Paulo afirma que a instituição negou que o assédio tivesse tido início no ambiente escolar. O caso foi registrado por meio de boletim de ocorrência no domingo (6).

“Fiquei indignada que a escola e a Secretaria de Educação tiraram toda a culpa dele. Disseram que tudo ocorreu fora do ambiente escolar”, disse Francielli Lima Cezare. “Todo o assédio começou dentro da sala de aula. As mensagens pelo Whatsapp eram uma sequência do que acontecia dentro da sala.”

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A mãe da garota afirmou que levou todas as mensagens, áudios e provas à instituição de ensino. “Estou indo falar sobre toda a minha indignação sobre a escola e a Secretaria de Educação tirar a parte deles e jogar em cima de mim. Isso é inadmissível porque o início de tudo foi dentro da escola”, afirma ela.

Francielli diz ainda que acredita que o professor não deve ser preso. “Se ela tivesse 11 anos, ele poderia ter pena de prisão. Mas como ela não tem, o que pode acontecer é ele ser afastado do cargo, como foi feito.”

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, responsável pela administração da Escola Estadual Gabriel Hernandes, de Ariranha, onde o professor trabalha afirmou que “assim que a escola tomou conhecimento do fato, todas as providências pertinentes ao caso foram tomadas e uma apuração está em andamento para ouvir a todos.”

“O professor já foi afastado das atividades em sala de aula e uma apuração preliminar foi aberta. Se comprovada as denúncias, serão aplicadas as penalidades pertinentes. A administração regional está à disposição dos pais e responsáveis pelos alunos e colabora com a polícia”, declarou a pasta.

Um familiar da menina afirma ainda que outros alunos o procuraram para relatar situações de assédio em relação ao professor. Em um áudio, um suposto estudante afirma que o educador tinha “brincadeiras sem graça” em relação a uma colega de sala. 

O caso

A Polícia Civil de Ariranha, cidade localizada a quase 400 quilômetros de São Paulo, instaurou um inquérito para investigar o caso de um professor de matemática, de 52 anos, suspeito de assediar uma aluna de 12. O boletim de ocorrência foi registrado pela mãe da jovem no domingo (6), após ter encontrado conversas no celular da filha em que ele pedia fotos íntimas por meio de um aplicativo de conversa.

O delegado do caso, Gilberto César Costa, afirmou que a polícia investiga quando o assédio teria se iniciado. O celular da garota foi apreendido e aguarda autorização judicial para ser periciado. O delegado também investiga se há outras vítimas e outros crimes cometidos pelo mesmo suspeito. “Ela estava inconformada, revoltada”, disse o delegado sobre o momento em que a mãe da garota realizou a denúncia.

Nas redes sociais, moradores da região afirmam que o suspeito teria apresentado comportamentos semelhantes em outras ocasiões. Por meio de uma página na internet, a mãe da garota teria se pronunciado sobre o assédio: “Você mexeu com a pessoa errada, vou acabar com você. Ninguém nunca teve coragem de acabar com a sua palhaçada. A surra que você levou foi pouco perto do que você merece”, disse ela ao se referir a ele como “professor pedófilo”.

Em caso de assédio a menores de 12 anos, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê que “aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso” pode levar a uma pena de reclusão de um a três anos e multa.

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Caso a vítima tenha mais de 12 anos, ele pode ser punido administrativamente com afastamento e até demissão por ser uma conduta incompatível com a missão e profissão de professor e educador.

“Ele, se for funcionário público, professor de escola pública, pode responder também por improbidade administrativa, por práticas ilegais no cargo e função, em ação própria na vara da infância e juventude, podendo ser condenado a demissão do serviço público e pagamento de multas”, explica Ariel de Castro Alves, advogado especialista em direitos da criança e do adolescente.